A maioria das pessoas sabe o que é msn e eu não vou ficar explicando. Não podemos negar: é uma ferramenta de comunicação bacana. Você pode falar com amigos de longe, com os de perto, se aproximar de alguém, etc e tudo mais.

 

Por incrível que pareça, também é bem útil no trabalho. Você não precisa ficar berrando para o seu chefe que está na outra sala e pode simplesmente pedir algo pro seu colega sem ficar falando. Outra vantagem é que você pode conversar com clientes da empresa facilmente e de quebra, economizar telefone. Dá até para fazer entrevista por msn, o que particularmente, não acho muito bacana, mas, dá.

 

Ou, no caso de jornalistas, é só colocar na típica frase do (digite aqui sua mensagem pessoal): “preciso de alguém com dor de dente que tenha torcido o pé esquerdo para dar entrevista”. Logo um amigo vem dizer que conhece. É prático.

 

Porém, o msn traz coisas chatas. Existem frases bem criativas, mas, têm outras… “eu amo a vida e ela é bacana, só depende de você”. Tá né. Ou pessoas que dizem tudo o que vão fazer. Quando você usa muito no trabalho, tudo bem colocar: “fui em uma reunião”. Mas tem gente que conta a vida toda na frase!

“Uhu, hoje tem show da tal banda. Vou tomar banho, trabalhar, tomar café, ir ao banheiro e depois ver um filme”. Ou “Aha, vou pra Bahia, Buenos Aires e Bahamas”. Cada qual com seu cada um. Um ocupado, ausente e horário de almoço, em sua maioria, já é o suficiente.

 

O messenger é uma das crias da pós-modernidade. Não, teóricos não falam sobre isso, mas é só analisar: além das pessoas contarem suas vidas, não tem como fugir de ser vigiado. Você sabe dos horários das pessoas… se ela está no trabalho ou em casa, o que ela está sentindo. É um grande big brother via janelinhas. E isso afasta as pessoas. (Big Brother também é o programa da Globo, mas a base desse pensamento é o que o Orwell diz em 1984).

 

Muita gente só consegue falar pelo messenger o que sente. Não é questão de índole, mas estamos cada vez mais fechados no mundo virtual. Conversando mais com os amigos pelo computador do que ao vivo. Namorando virtualmente e resolvendo problemas apenas de forma on-line. Muita gente não consegue falar as coisas cara a cara e ter coragem de assumir o que sente. Afinal, dá mais trabalho olhar no olho. Isso é meio assustador não? E a gente nem se toca…

 

Podemos chamar isso de relações líquidas, que para o sociólogo Zygmunt Bauman é a simples fragilidade dos laços humanos. Queremos estreitar laços, mas, ao mesmo tempo, mantê-los frouxos. Sabe como? Ter amigos e muitas pessoas para falar no msn, mas nenhum para ligar as três da manhã, se necessário. Conhecer muitas pessoas, apaixonar-se e desapaixonar-se na mesma rapidez. Ter muito, e ser pouco.

 

 

Por Isadora Rupp