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Quantas vezes ouvimos que falar espanhol é fácil ou que é uma língua simples e por isso não há motivo para aprender o idioma? A verdade é que quando se aprende o espanhol é possível perceber que muitas vezes nos equivocamos com os “portunholaços”. É natural também no início do aprendizado ocorrer uma espécie de trava na língua. Aquele conhecimento que todos acreditamos ter começa a se perder, e logo passamos a identificar quanta coisa foi dita sem sentido algum.
São expressões e palavras que causam certo incômodo nos ouvidos dos nativos da língua. Quem não ouviu ou disse algo como “cueca-cuela”, “sorvete de muerango” ou “cachorro quiente” e o conhecido “pero que si, pero que no”? No espanhol são respectivamente “coca-cola”, “helado de frutillas”, “pancho” (na Argentina) ou “perro caliente” (no México) e “pero si…” ou “pero no…”, se aplicado em um contexto.
Para fazer um comparativo, quem aprendeu o espanhol e o inglês pode arriscar dizer qual deles é o mais complicado. Há quem diga que o espanhol é mais difícil. Por outro lado, também é possível dizer que o espanhol é uma língua fácil de compreender se comparado ao inglês, para aqueles que não tiveram contato com nenhuma dessas línguas.
Em relação ao português, é comum pensar que o espanhol é um idioma fácil, pois ambos têm origem latina. Há muitas palavras que são escritas da mesma forma que no português e têm o mesmo significado. Cuidado! Há também aquelas que têm a escrita igual, porém significado distinto como no caso de sobremesa, que no espanhol é um bate-papo após o almoço, e “berro”, que traduzido para o português quer apenas dizer “agrião”.
Entretanto, outras considerações lingüísticas devem ser avaliadas para afirmar que um idioma é mais fácil ou difícil que outro. Além disso, as dificuldades podem ser diferentes para a fluência oral ou escrita em um mesmo idioma. No Brasil há variantes de uma região para outra e nos países que falam o espanhol as particularidades também existem para dificultar, ou como prefiro dizer, para tornar mais interessante o aprendizado. Claro que o “se fazer entender” é muito importante para expressar o que será dito e talvez apenas com isso é possível ir a qualquer lugar.
De qualquer modo, a riqueza de aprender um novo idioma, seja por necessidade profissional, para fazer uma viagem ou por prazer, está no conhecer a sua origem, os aspectos sociais e culturais e os dialetos, que valem muito mais que apenas ficar nos portunholaços (por mais divertidos que sejam).
Por Thais Schwartz
