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Em julho acontece em São Paulo um grande evento voltado a profissionais da Comunicação. Alguns palestrantes ilustres estarão presentes, mas entre eles uma em especial me chamou a atenção: a jornalista Judith Miller (ex-New York Times).

Provavelmente todos se lembrarão dela, pois foi ela a protagonista de um dos casos mais discutidos e controversos do meio jornalístico nos últimos tempos: em 2005, ela esteve presa por 85 dias, por se negar a revelar suas fontes. No evento, a jornalista – que atualmente luta para que seja aprovada nos Estados Unidos uma lei que assegure o sigilo da fonte, como acontece no Brasil – irá abordar os limites da liberdade de imprensa.


A história que envolveu o nome Judith Miller, o NYT e membros do governo americano no episódio das armas no Golfo Pérsico, foi amplamente discutida pela imprensa geral, devido aos erros cometidos pela jornalista em busca pelo grande “furo”, envolvendo a ética e a fonte, assuntos estes recorrentes, que comumente norteiam conversas em grupos de jornalistas.


Mas também, vez por outra os temas retornam com mais ênfase, porque algo semelhante sempre acontece. No Brasil temos o famoso caso da Escola Base como exemplo clássico de falta de ética e talvez falta de comprometimento com o principio básico de nossa profissão: informar com responsabilidade. Atualmente discutimos o caso Isabella Nardoni, um crime bárbaro, seja ele por quem quer que tenha sido cometido. Claro que ainda mais se o assassino for mesmo o pai, o que com certeza geraria ainda mais manchetes e audiência. Um verdadeiro “filão”.


O preocupante é perceber que o que mais importa em alguns veículos e para alguns profissionais é exatamente o sensacionalismo, a audiência, o furo, mesmo que tudo isso leve a quebra de um pressuposto essencial à profissão – a ética – ainda que não se tenha absoluta certeza que a fonte é realmente segura, e que os fatos são realmente verossímeis.


Pensando em tudo isso, fico com certa curiosidade em saber o que nossa colega irá discorrer em sua palestra sobre liberdade de imprensa. Será que essa liberdade pode extravasar os limites da ética? Será que esta liberdade exime realmente uma fonte? Ou será que falará da liberdade de imprensa, associada, como se supõe deve ser, à ética, ainda que se divulguem informações como verídicas, sem absoluta certeza disso?


Ficam aqui minhas dúvidas. Acredito que após o evento poderemos discutir melhor o tema, já com a abordagem feita pela nossa colega americana.


Por Milu Ramiro